O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano na reunião marcada para segunda e terça-feira (4 e 5). De acordo com analistas do mercado financeiro, o foco estará no tom do comunicado que acompanhará a decisão, considerado determinante para indicar os próximos passos da política monetária.
Segundo o head de renda fixa da Manchester Investimentos, Rafael Sueishi, o mercado avalia que a principal incerteza está na linguagem adotada pelo colegiado. “A gente vai ficar atento, e é o principal ponto de interrogação, se em algum momento o comitê vai começar a flexibilizar o tom desse comunicado. Nas últimas atas, a gente teve como sinalização uma política monetária dura, que se traduzia em juros elevados por muito tempo. A expectativa que a gente tem para a próxima semana é de uma pequena suavizada nesse discurso”, afirmou Sueishi.
Na avaliação do especialista, o Banco Central pode adotar uma comunicação mais branda diante de sinais de desaceleração da economia. “Eu acho que aos poucos o comitê vai começar a baixar a guarda para abrir espaço para a discussão de corte de juros, pelo menos no início do ano que vem. Mas sem abrir mão da cautela”, disse.
Sueishi acrescentou que, apesar de uma possível mudança no discurso, o Banco Central deve continuar condicionado aos próximos indicadores econômicos antes de decidir pela redução da taxa. “Muito provavelmente, esse comunicado vem com um tom mais suave, mas ainda deixa o Banco Central dependendo dos próximos indicadores para uma tomada de decisão mais assertiva”, concluiu.
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 4 e 5 de novembro, quando será avaliada a trajetória da Selic, atualmente em 15% ao ano.