Café arábica perde força após pico de oito meses; cacau e açúcar sobem

Movimentos técnicos e realização de lucros pressionaram o café, enquanto o cacau e o açúcar registraram ganhos nas bolsas internacionais
Quang Nguyen Vinh
Quang Nguyen Vinh

Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE fecharam em baixa de 10,7 centavos, ou 2,5%, cotados a US$4,1015 por libra-peso, depois de terem atingido US$4,3795 no início das negociações. De acordo com operadores, o mercado foi sustentado inicialmente pela redução dos estoques certificados, mas perdeu força ao longo do dia diante de movimentos técnicos de venda.

Segundo dados da ICE, os estoques certificados de café arábica totalizavam 465.910 sacas em 22 de outubro, uma queda de 2.500 sacas em relação ao dia anterior. Há um mês, o volume era de 643.341 sacas. A retração nos estoques foi associada, em parte, à desaceleração das exportações do Brasil após a adoção de uma tarifa de importação de 50% pelos Estados Unidos.

O café robusta também encerrou em queda, recuando 3,7%, para US$4.521 por tonelada métrica. Embora a tempestade Fengshen tenha atingido o Vietnã, principal produtor mundial de robusta, na quarta-feira (22), ela não impactou diretamente as áreas de cultivo e se enfraqueceu, tornando-se uma depressão. A colheita vietnamita deve ganhar ritmo a partir de novembro.

No mercado de cacau, os preços avançaram. Em Londres, o contrato subiu 30 libras, ou 0,7%, para 4.603 libras por tonelada, após atingir o maior nível em três semanas, de 4.686 libras. Operadores apontaram que compras do setor, após uma queda prolongada entre agosto e outubro, contribuíram para a recuperação dos preços.

O desempenho também foi sustentado pelo início lento da safra principal na Costa do Marfim, maior produtor global, e por preocupações com a qualidade dos grãos. Em Nova York, o cacau avançou 0,7%, sendo negociado a US$6.339 por tonelada.

Durante uma apresentação em Des Moines, Iowa, a vice-presidente de Gana, Jane Naana Opoku-Agyemang, afirmou que o país pretende elevar o processamento local de cacau para pelo menos 50% da safra nos próximos anos — atualmente, o índice é inferior a 30%. Segundo ela, o governo busca atrair investimentos privados para ampliar a capacidade industrial.

O açúcar também encerrou o pregão em alta. O contrato de açúcar bruto subiu 0,19 centavo, ou 1,3%, para 15,29 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o açúcar branco avançou 0,8%, alcançando US$437,80 por tonelada.

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