O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira (23), retomando o patamar dos 146 mil pontos pela primeira vez em outubro, embalado pelo apetite a risco no exterior e por avanços em ações de peso, como Petrobras (PETR4) e Bradesco (BBDC4). O índice subiu 0,59%, aos 145.720,98 pontos, com máxima em 146.357,79 e mínima em 144.872,79 pontos. O giro financeiro somou R$ 18,1 bilhões.
O dólar comercial encerrou o dia em leve queda de 0,20%, cotado a R$ 5,386, enquanto os DIs (juros futuros) voltaram a recuar em toda a curva, refletindo o otimismo antes da divulgação dos dados de inflação.
Inflação no radar: Brasil e EUA divulgam índices nesta sexta
A sexta-feira promete movimentar os mercados com a divulgação do IPCA-15 de outubro, no Brasil, e dos números de inflação de setembro nos Estados Unidos — mesmo com a paralisação parcial do governo norte-americano.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que “a inflação e as expectativas seguem fora da meta, o que é motivo de incômodo”, mas reforçou que o processo de desaceleração continua e que o BC segue comprometido com o retorno à meta.
Trump, Xi e Lula no foco geopolítico
No exterior, o mercado reagiu com alívio à confirmação de que o presidente dos EUA, Donald Trump, se reunirá com o presidente chinês, Xi Jinping, no dia 30, após dias de incerteza. As tensões com a Rússia, porém, seguem no radar, com Washington sinalizando novas sanções — movimento que fez o petróleo disparar mais de 5% nas duas principais referências internacionais.
Trump deve ainda se encontrar com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo (26), durante sua passagem pela Ásia. O petista, já no continente, criticou o protecionismo global e voltou a defender o uso de moedas locais no comércio internacional — pauta que costuma irritar o mandatário norte-americano.
Cenário fiscal e corporativo
O Relatório de Acompanhamento Fiscal da IFI mostrou que o governo acumula déficit primário de R$ 100,9 bilhões de janeiro a setembro, exigindo um esforço adicional de R$ 27 bilhões para cumprir o limite inferior da meta.
Apesar das preocupações fiscais, a arrecadação federal cresceu 1,43% em setembro, em termos reais, frente ao mesmo mês de 2024.
Entre as ações, Vale (VALE3) oscilou ao longo da sessão e fechou em leve baixa de 0,19%, mesmo com o minério de ferro em alta na China. Já Petrobras (PETR4) avançou 1,14%, beneficiada pela disparada de 5% nos preços do petróleo, que também impulsionou petroleiras juniores — caso de Prio (PRIO3), que subiu 1,80%.
No setor financeiro, o tom foi misto: Bradesco (BBDC4) subiu 1,07%, Santander Brasil (SANB11) avançou 0,81%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 0,08% e Banco do Brasil (BBAS3) recuou 0,19%.
A maior estrela do pregão foi Casas Bahia (BHIA3), que disparou 11,75% após anunciar um acordo comercial com o Mercado Livre. Por outro lado, Magazine Luiza (MGLU3) caiu 5,64%, pressionada pela concorrência e realização de lucros, enquanto GPA (PCAR3) recuou 0,85%, ainda sob impacto da renúncia do CEO anunciada ontem.
O que vem pela frente
A sexta-feira promete fortes emoções: além do IPCA-15 e da inflação dos EUA, saem também os PMIs de indústria e serviços em várias economias globais.
Depois de uma semana morna, o mercado se prepara para um verdadeiro teste de nervos. Como escreveu um operador em relatório: “respira fundo, que o furacão vem aí”.