Ibovespa sobe 0,55% e volta a se aproximar dos 145 mil pontos com apoio da Vale

Produção recorde da mineradora desde 2018 impulsiona o índice; Petrobras e WEG também avançam, enquanto Assaí e Fleury recuam
Romulo Queiroz
Romulo Queiroz

O Ibovespa encerrou esta quarta-feira (22) em alta de 0,55%, aos 144.872,79 pontos, retomando o tom positivo e voltando a se aproximar da marca simbólica dos 145 mil pontos. O desempenho foi puxado principalmente pela Vale (VALE3), após a mineradora divulgar produção trimestral de minério de ferro no 3T25 — a maior desde 2018.

O índice oscilou entre 144.038,76 e 145.047,73 pontos, em um pregão movimentado pelo noticiário corporativo, mas de volume moderado, de R$ 18,05 bilhões. O desempenho brasileiro destoou de Wall Street, onde o S&P 500 recuou 0,53%, pressionado por balanços mistos e tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

Vale impulsiona ganhos do Ibovespa

As ações da Vale (VALE3) subiram 1,78%, após a empresa reportar a maior produção trimestral de minério de ferro desde 2018, reforçando a expectativa de que deve atingir a faixa superior da meta anual em seus principais negócios. O movimento foi acompanhado pela alta de 0,65% nos contratos futuros do minério em Dalian (China).

O bom desempenho da Vale ajudou a sustentar o Ibovespa, que vinha pressionado por ajustes no setor de consumo e cautela externa.

Petrobras e WEG também se destacam

A Petrobras (PETR4) subiu 1,15% e a Petrobras (PETR3) avançou 1,67%, acompanhando a alta de 2,07% no petróleo Brent, negociado a US$ 62,33 o barril. A estatal também foi destaque no leilão da ANP realizado nesta quarta, ao lado da norueguesa Equinor: cada uma arrematou 100% de um bloco e formaram um consórcio para um terceiro, reforçando presença no pré-sal.

A WEG (WEGE3) ganhou 0,88%, após divulgar lucro líquido de R$ 1,65 bilhão no 3º trimestre, alta de 4,5% em relação a 2024. O Ebitda ficou em R$ 2,28 bilhões, com margem de 22,2%, ambos em linha com as estimativas de mercado. A receita líquida cresceu 4,2%, totalizando R$ 10,27 bilhões.

Assaí e Fleury pesam entre as quedas

Na ponta oposta, Assaí (ASAI3) despencou 7,08%, após o JPMorgan rebaixar a recomendação do papel para “underweight”, cortando o preço-alvo de R$ 11,50 para R$ 8,50. O banco citou desafios para o crescimento da receita entre 2025 e 2026, o que deve limitar o desempenho das ações no curto prazo.

A Fleury (FLRY3) caiu 2,69%, ainda sob reflexo das tratativas frustradas com a Rede D’Or (RDOR3), que avançou 1,37%. Ambas negaram o fim formal das negociações, mas a Rede D’Or afirmou que as interações foram “infrutíferas”. O JPMorgan também rebaixou Fleury para “underweight”, reduzindo perspectivas de sinergia entre as empresas.

Outros destaques corporativos

A Ambev (ABEV3) recuou 1,23%, refletindo os números da rival Heineken, que reportou queda de 0,3% na receita líquida e de 4,3% nos volumes globais no 3º trimestre — desempenho pressionado, inclusive, pelo Brasil. A Ambev divulgará seu resultado no dia 30 de outubro.

A Copel (CPLE6) avançou 1,43%, após divulgar alta de 1,7% no consumo de energia no 3º trimestre, com impulso do consumo residencial e da atividade industrial.

Já o GPA (PCAR3) caiu 1,12%, depois que o presidente-executivo Marcelo Pimentel renunciou ao cargo e ao conselho de administração. O vice-presidente financeiro, Rafael Russowsky, assume interinamente.

Bancos em terreno positivo

O setor financeiro contribuiu para o resultado positivo do Ibovespa. Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 0,82%, Banco do Brasil (BBAS3) avançou 0,73%, Santander (SANB11) ganhou 0,51%, Bradesco (BBDC4) teve leve alta de 0,11% e BTG Pactual (BPAC11) fechou com +0,9%.

Cenário externo: tensões renovadas entre EUA e China

No exterior, o dia foi de correção. A Reuters noticiou que o governo Trump avalia restringir exportações de software e tecnologias sensíveis à China, o que reacendeu o temor de uma nova rodada de atritos comerciais.

O S&P 500 caiu 0,53%, em sessão de queda também para Netflix, que decepcionou investidores após divulgar balanço da noite anterior.

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