Ibovespa cai 0,31% em dia de “paz em Gaza”, mas de guerra fiscal em Brasília

Derrota do governo na MP 1.303 pesa sobre o mercado; Petrobras lidera perdas e WEG brilha com alta de 4,79%
Romulo Queiroz
Romulo Queiroz

A quinta-feira (9) trouxe paz no Oriente Médio, mas não na Bolsa brasileira. O Ibovespa recuou 0,31%, aos 141.708,19 pontos, uma baixa de 437,19 pontos, em um dia de alívio internacional e tensão doméstica.
O dólar comercial subiu 0,58%, a R$ 5,375, enquanto os juros futuros (DIs) caíram em toda a curva.

Apesar da histórica notícia de cessar-fogo entre Israel e Hamas, o mercado local manteve foco total na guerra fiscal brasileira, reacendida com a derrota do governo no Congresso.

MP do IOF derrota governo e amplia incerteza fiscal

A Medida Provisória 1.303, que substituía a alta do IOF por novos tributos, saiu de pauta na Câmara e perdeu validade, inviabilizando análise pelo Senado.
O governo calcula um rombo de R$ 42,3 bilhões até 2026 com a caducidade da MP.

“Ontem foi triste porque uma parte do Congresso votou contra a taxação dos bilionários deste país”, lamentou o presidente Lula, apostando novamente no discurso de “ricos contra pobres” — que até agrada ao eleitorado, mas não conquista votos no Parlamento.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tenta agora rearticular alternativas de arrecadação para compensar a perda, num cenário cada vez mais desafiador para o cumprimento das metas fiscais.

O IPCA divulgado nesta quinta trouxe algum alívio

“O dado coloca ‘panos quentes’ na preocupação com os núcleos”, disse Norberto Alves, gestor da Reach Capital.

Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, reforçou que o número veio levemente abaixo do esperado, com núcleos bem-comportados — e tendência de desaceleração em outubro, apoiada pela redução da bandeira tarifária de energia.

Ainda assim, o Banco Central mantém o tom vigilante:
Nilton José David, diretor de Política Monetária, afirmou que a instituição poderá voltar a subir a Selic se necessário, mas que, por ora, pretende manter a taxa em 15% por período prolongado.

Diplomacia e cenário externo

Enquanto Brasília digeria a derrota, o Itamaraty tentava marcar terreno.
O chanceler Mauro Vieira conversou por telefone com o secretário de Estado americano Marco Rubio e ambos prometeram um encontro presencial em breve, dando continuidade às negociações comerciais com os EUA.

Mas nem isso animou o mercado: Jerome Powell, presidente do Fed, discursou sem tocar em política monetária, e Wall Street virou para o negativo.
Mesmo assim, S&P 500 e Nasdaq seguem em máximas históricas.
Na Europa, Ferrari e HSBC puxaram o STOXX para baixo, enquanto a crise política francesa continua em foco.

Petrobras pesa; bancos limitam perdas

O destaque negativo do pregão foi Petrobras (PETR4), que caiu 1,44%, acompanhando o petróleo internacional.
As petro juniores também sofreram — Brava (BRAV3) despencou 5,09%, afetada por paralisação em Potiguar e estimativas da XP de impacto de até US$ 8 milhões/mês no caixa.

A Vale (VALE3) chegou a subir, mas virou no fim e encerrou em queda de 0,15%, mínima do dia.

Nos bancos, o movimento foi misto:

  • Banco do Brasil (BBAS3): +0,33%
  • Bradesco (BBDC4): +0,53%
  • Santander (SANB11): +1,32%
  • Itaú Unibanco (ITUB4): -0,16%

No lado positivo, WEG (WEGE3) avançou 4,79%, impulsionada por planos de investimento da Light.
A B3 (B3SA3) subiu 1,03%, liderando o volume de negócios.

Entre as quedas:

  • CSN (CSNA3): -0,47%, após alerta de prejuízo e dividendos zerados.
  • Tenda (TEND3): -4,51%, com expectativas fracas para o 3T25.

E fora do índice, Ambipar (AMBP3) até subiu 5,88%, mas será excluída de todos os índices da B3 — encerrando, de fato, uma longa sequência de batalhas perdidas.

Panorama

O dia foi de alívio internacional e tensão doméstica.
Enquanto o mundo celebrou um cessar-fogo no Oriente Médio, o mercado brasileiro travou uma nova guerra — a fiscal — que promete seguir ditando o rumo dos ativos locais nas próximas semanas.

Nesta sexta-feira (10), a agenda traz o Índice de Preços ao Produtor (IPP) no Brasil.
Nos EUA, a paralisação do governo mantém o calendário econômico praticamente vazio.

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