Nos últimos anos, o Paraguai tem se consolidado como destino de empresários brasileiros que buscam novas oportunidades de negócios e condições fiscais mais favoráveis. A proximidade com o Brasil, aliada a um sistema tributário simplificado, tem atraído empreendedores que antes consideravam os Estados Unidos ou a Europa como principais opções de expansão.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) do Paraguai indicam que 52.031 brasileiros vivem atualmente no país. O sistema fiscal é um dos principais atrativos, já que pessoas físicas e jurídicas estão sujeitas a uma alíquota única de 10%. O modelo, considerado mais simples e previsível em comparação ao sistema brasileiro, é apontado como determinante na decisão de transferência de empresas e até de residência.
Em pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 70% dos empresários brasileiros classificaram a carga tributária como o maior obstáculo ao chamado Custo Brasil. Segundo Marcelo Godke, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Internacional Empresarial, a procura por regularização de brasileiros no Paraguai tem crescido de forma consistente. “O Paraguai oferece um cenário fiscal que facilita a vida do empreendedor. Para muitos, esse ambiente mais simplificado é determinante para transferir negócios ou até mesmo estabelecer residência no país”, afirmou.
Outro fator mencionado por especialistas é a estabilidade econômica apresentada pelo Paraguai na última década. “Enquanto no Brasil a carga tributária e a burocracia acabam desestimulando investimentos, o Paraguai tem construído uma imagem de segurança jurídica e competitividade regional. Esse movimento de empresários brasileiros para lá é reflexo direto desse contraste”, acrescentou Godke.
Além do aspecto fiscal, o custo de vida mais baixo e a localização estratégica, próxima de estados como São Paulo e Paraná, tornam o país ainda mais atrativo. Analistas avaliam que essa tendência deve se intensificar, reforçando o papel do Paraguai como hub de negócios e investimentos na América do Sul.
No entanto, especialistas alertam para cuidados necessários a fim de evitar problemas na migração de negócios. Entre as recomendações estão: verificar a regularidade das consultorias contratadas, analisar a legislação dos dois países, planejar residência e atividade empresarial em conjunto, evitar pacotes prontos sem respaldo jurídico, considerar tratados internacionais e manter conformidade fiscal desde o início.