O Ibovespa encerrou esta segunda-feira (6) em queda de 0,41%, aos 143.608,08 pontos, recuando 592,57 pontos. O movimento contrastou com o desempenho positivo das bolsas na Europa e nos Estados Unidos, que operaram majoritariamente em alta.
O dólar comercial caiu 0,47%, a R$ 5,311, na contramão da valorização global da moeda americana — o índice DXY subiu 0,39%. Já os juros futuros (DIs) encerraram o dia em leve baixa ao longo de toda a curva.
Lula e Trump: conversa cordial, mas sem efeito de mercado
A aguardada conversa entre os presidentes Lula e Donald Trump, realizada por videofone e com duração de 30 minutos, não animou o mercado brasileiro.
Trump afirmou que a conversa foi “muito boa” e que “os países vão se sair muito bem juntos”, mas os investidores reagiram com ceticismo. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que deve liderar as negociações bilaterais, avaliou o diálogo como “melhor do que o esperado”.
Do lado americano, Marco Rubio, secretário de Estado, assumirá a linha de frente das tratativas. A expectativa é de um encontro presencial entre os dois líderes nas próximas semanas, para tratar diretamente do tarifaço imposto pelos EUA.
Trump anuncia novas tarifas e Wall Street celebra IA
Enquanto isso, Trump anunciou uma nova tarifa de 25% sobre caminhões, a partir de 1º de novembro. A paralisação do governo norte-americano continua sem solução, o que levou o ouro a tocar US$ 4 mil pela primeira vez.
Em Wall Street, o tom foi otimista com o setor de tecnologia. As ações da AMD dispararam após anúncio de acordo de fornecimento de chips com a OpenAI. O avanço da inteligência artificial segue como um dos principais motores de alta no mercado americano.
Ainda assim, os índices de Nova York fecharam mistos, refletindo incertezas em relação à política monetária do Federal Reserve, já que dados não-oficiais de emprego ainda não apontam fraqueza suficiente para justificar corte de juros em outubro.
No Brasil, as atenções também se voltaram ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que reafirmou a necessidade de manter juros restritivos por tempo prolongado.
Ele destacou a desinflação dos bens e a resistência dos serviços, explicando que o desempenho relativamente forte do real ajuda na desaceleração de preços de bens, mas mantém os serviços pressionados.
Destaques do pregão
- Vale (VALE3): +1,71%, após anunciar recompra de até R$ 16 bilhões em títulos perpétuos, com forte reação positiva do mercado.
- Embraer (EMBR3): +1,58%, impulsionada por nova encomenda da OTAN.
- Petrobras (PETR4): -0,90%, contrariando a leve alta do petróleo internacional.
- Bancos: recuaram de forma generalizada — Itaú (ITUB4) -1,15%; Banco do Brasil (BBAS3) -0,79%; Bradesco (BBDC4) -0,58%; Santander (SANB11) -0,83%.
- Sabesp (SBSP3): -0,19%, após confirmar a compra da Emae, em operação vista como estratégica.
- Porto (PSSA3): -2,08%, após corte de recomendação por analistas.
- Ambipar (AMBP3): -35%, mantendo a sequência de fortes perdas após crise de credibilidade e questionamentos sobre sua situação financeira.