Dois projetos brasileiros são finalistas do Prêmio Earthshot, liderado pelo príncipe William

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre e a Re.green representam o Brasil entre os 15 finalistas mundiais do prêmio que reconhece soluções ambientais inovadoras
Christopher Borges
Christopher Borges

Dois projetos brasileiros foram selecionados entre os 15 finalistas do Prêmio Earthshot 2025, considerado o maior reconhecimento ambiental do planeta. O anúncio foi feito neste sábado (4/10). A iniciativa, criada pelo príncipe William em 2020, busca premiar as ideias mais impactantes na restauração e preservação do meio ambiente global.

O Brasil concorre com o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e com a Re.green. O TFFF é um mecanismo financeiro proposto pelo governo brasileiro que busca recompensar países com florestas tropicais por resultados na preservação ambiental. Já a Re.green atua na restauração de áreas desmatadas em larga escala, combinando tecnologia de drones, inteligência artificial e genética de espécies nativas para gerar créditos de carbono e benefícios sociais.

Segundo o príncipe William, fundador do prêmio, “as ideias mais brilhantes podem vir de qualquer lugar e iniciar mudanças em todos os lugares”. Ele destacou ainda que as pessoas envolvidas nos projetos “são heróis da nossa época” e que o objetivo é apoiar essas iniciativas para “fazer o mundo mais limpo e seguro”.

O Prêmio Earthshot possui cinco categorias: proteger e restaurar a natureza, combater a crise climática, purificar o ar, revitalizar os oceanos e construir um mundo sem resíduos. Cada um dos cinco vencedores receberá um milhão de libras esterlinas (cerca de sete milhões de reais). A cerimônia de premiação ocorrerá no dia 5 de novembro, no Rio de Janeiro, durante a Earthshot Week, que reunirá líderes globais, investidores e comunidades.

Descrito como a inovação financeira mais ambiciosa já proposta para florestas, o TFFF prevê a criação de um fundo global de US$ 125 bilhões, composto por investimentos públicos e privados. A proposta é garantir renda permanente a países tropicais em troca da preservação de florestas, podendo proteger mais de 1 bilhão de hectares em mais de 70 países. Ao menos 20% dos recursos devem ser destinados a povos indígenas e comunidades locais.

Durante evento na ONU, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o investimento inicial de US$ 1 bilhão no fundo, tornando o Brasil o primeiro país a se comprometer com recursos para a iniciativa. “O TFFF não é caridade. É um investimento na humanidade e no planeta, contra a ameaça de devastação pelo caos climático”, afirmou o presidente.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou que “precisamos estabelecer uma nova relação com as florestas tropicais e mudar significativamente a forma como elas são valorizadas”. Segundo ela, ser finalista do Earthshot é um reconhecimento ao esforço multilateral liderado pelo Brasil e uma oportunidade de atrair novos investimentos e ampliar a conscientização global sobre a importância das florestas.

Jason Knauf, CEO do Earthshot Prize, destacou que o TFFF “oferece uma chance única em uma geração de virar o jogo, tornando as florestas vivas mais valiosas do que as mortas”.

O diretor do Earthshot Prize no Brasil, Felipe Villela, explicou que um dos pilares do prêmio é “criar uma narrativa que inspire as pessoas a fazerem parte desse movimento”, ressaltando que a combinação de “urgência climática com otimismo traz ação”.

Os vencedores serão escolhidos pelo príncipe William e pelo Conselho do Prêmio Earthshot, composto por líderes globais, cientistas, empresários e representantes da sociedade civil, incluindo nomes como a Rainha Rania Al Abdullah, Cate Blanchett e Christiana Figueres, arquiteta do Acordo de Paris.

O TFFF foi desenvolvido em parceria com países florestais e financiadores, entre eles Colômbia, Indonésia, Noruega, Alemanha e França, além de organizações da sociedade civil e representantes de povos indígenas. Diferente de mecanismos baseados em doações, o fundo aposta em investimentos de longo prazo, com rendimentos direcionados a países que mantenham baixas taxas de desmatamento.

Com os dois projetos entre os finalistas, o Brasil reforça sua presença na agenda climática global e consolida sua atuação como um dos principais agentes na busca por soluções sustentáveis para o planeta.

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