O Ibovespa interrompeu a sequência de recordes e encerrou esta quarta-feira (1º) em queda de 0,49%, aos 145.517,35 pontos, uma perda de 719,67 pontos. O dólar comercial ficou praticamente estável, subindo 0,11%, a R$ 5,329, enquanto os juros futuros (DIs) recuaram em toda a curva, mas com pouca intensidade.
O grande tema do dia foi a paralisação do governo dos Estados Unidos (shutdown). Sem acordo bipartidário no Congresso, atividades do governo federal foram interrompidas. O presidente Donald Trump culpou os “democratas enlouquecidos”, mas analistas avaliam que sua liderança pode ser posta em xeque. Levantamento do Bank of America mostra que, desde 1990, shutdowns duram em média 14 dias.
O impacto já será sentido nesta sexta-feira (3), quando não será divulgado o payroll, relatório mais importante sobre o mercado de trabalho norte-americano, usado pelo Federal Reserve para calibrar a política monetária. “É doloroso não receber estatísticas oficiais justamente quando estamos tentando entender se a economia está em transição”, disse Austan Goolsbee, presidente do Fed de Chicago.
Apesar da incerteza, os índices de Nova York reagiram em alta, com o S&P 500 renovando recorde.
No Brasil, o impasse nos EUA também congelou as tratativas para uma reunião entre Trump e Lula. Segundo o Itamaraty, ainda não há data definida para o encontro.
Entre as ações, os bancos lideraram as perdas do Ibovespa: Itaú Unibanco PN caiu 1,81%, Bradesco PN recuou 1,70%, Santander Brasil Unit cedeu 1,53% e Banco do Brasil ON perdeu 0,72%. Petrobras PN caiu 0,25%, acompanhando a queda do petróleo.
Na ponta oposta, Braskem PN subiu 4,57% após o Cade aprovar possível venda para fundo ligado a Nelson Tanure. Vale ON avançou 1,27%, em sua terceira alta seguida. GPA ON disparou 5,28% após fortes perdas na véspera.
Entre os destaques negativos, WEG ON recuou 2,19% após corte de recomendação do Citi. Já Gerdau PN avançou 2,11% e Metalúrgica Gerdau PN ganhou 2,42%, após anúncio de revisão em planos de investimento.
Fora do índice, Dasa ON subiu 4,65% com venda de ativos não essenciais, enquanto Oi ON despencou 24,53% após decisão judicial que afastou a diretoria e abriu caminho para a falência.