O Ibovespa fechou em leve baixa de 0,07% nesta terça-feira (30), aos 146.237,02 pontos, após perder 99,78 pontos. Mesmo assim, o índice renovou a máxima histórica intradiária ao alcançar 147.578,39 pontos no início da tarde. No acumulado de setembro, a bolsa brasileira subiu 3,40%, garantindo o sétimo mês positivo de 2025, com exceção de fevereiro e julho.
No câmbio, o dólar comercial oscilou e terminou com leve alta de 0,02%, cotado a R$ 5,323, em dia de fechamento da Ptax. Os juros futuros (DIs) caíram em toda a curva.
Nos Estados Unidos, os investidores acompanharam o impasse em torno do orçamento federal. O prazo para evitar a paralisação do governo (shutdown) se encerrou nesta terça. O presidente da Câmara, Mike Johnson, declarou estar “um pouco cético” sobre um acordo. O presidente Donald Trump afirmou que o país “está caminhando para o shutdown”.
Segundo Adam Crisafulli, da Vital Knowledge, em entrevista à CNBC, o mercado já esperava a paralisação. No entanto, caso se estenda por mais de duas semanas, os investidores podem ficar mais preocupados.
A agenda econômica também trouxe dados divergentes. Nos EUA, a confiança do consumidor enfraqueceu em setembro, e o relatório JOLTs apontou aumento marginal de vagas de emprego em aberto em agosto, com queda nas contratações. O cenário reforça expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve.
No Brasil, a taxa de desemprego em agosto ficou em 5,6%, piso histórico. Apesar disso, a geração de vagas formais desacelera. A dívida bruta recuou a 77,5% do PIB no mês, abaixo das projeções, e o setor público registrou déficit primário de R$ 17,25 bilhões, resultado melhor que o esperado.
Entre as ações, Petrobras PN recuou 1,10%, em sua quinta queda consecutiva, acompanhando a desvalorização do petróleo no mercado internacional. Braskem PN caiu 1,35% após novo corte de rating por agência de risco.
O setor de varejo concentrou baixas relevantes. GPA ON caiu 8,72% após rebaixamento de recomendação para venda, em meio a preocupações fiscais. Ambev ON perdeu 2,58% com corte de recomendação da XP. Magazine Luiza ON desabou 9,60%, mas encerrou setembro com valorização acumulada de quase 19%.
Vale ON subiu 0,52% após anunciar a retomada do segundo forno da unidade de Onça Puma, reforçando a competitividade da Vale Base Metals. Entre os bancos, Bradesco PN avançou 0,58% e Itaú Unibanco PN ganhou 0,46%, após o CEO mencionar a possibilidade de dividendos adicionais em 2026. Banco do Brasil ON caiu 0,14%.
No setor imobiliário, MRV ON avançou 3,19% com anúncio de venda de ativos nos Estados Unidos, enquanto Direcional ON subiu 0,75% após acordo com a Moura Dubeux.
Com o fim de setembro e do terceiro trimestre de 2025, o mercado inicia outubro atento à situação fiscal dos EUA. Caso não haja acordo bipartidário, o payroll de setembro, previsto para sexta-feira (3), pode deixar de ser divulgado.