O Ibovespa encerrou a sessão desta segunda-feira (29) em alta de 0,61%, aos 146.336,80 pontos, acumulando ganho de 890,14 pontos. Apesar de ter fechado abaixo do recorde de 146.491,75 pontos, registrado em 24 de setembro, o índice alcançou durante a tarde a máxima histórica de 147.558,22 pontos, superando o patamar de 147.178,47 pontos do último dia 23.
No câmbio, o dólar comercial recuou 0,31%, cotado a R$ 5,322, em movimento que, segundo ex-economista-chefe do FMI, pode continuar nos próximos dias. Já os juros futuros (DIs) encerraram em alta em toda a curva.
O mercado iniciou a semana atento à reunião prometida entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora os termos do encontro ainda não tenham sido detalhados. De acordo com o JPMorgan, a aproximação entre os dois países pode abrir espaço para flexibilização das tarifas impostas pelos EUA contra o Brasil.
O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou estar “otimista” com as negociações, enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou esperar uma “discussão racional” sobre as barreiras comerciais.
Nos Estados Unidos, o governo enfrenta risco de paralisação (shutdown) diante da falta de acordo bipartidário. Caso o impasse se prolongue, o payroll, dado crucial do mercado de trabalho previsto para sexta-feira (3), pode não ser divulgado, limitando a visibilidade do Federal Reserve sobre a economia norte-americana.
No cenário interno, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto apontou a criação líquida de quase 150 mil vagas formais, abaixo da expectativa de 160 mil. O Boletim Focus reduziu projeções para câmbio e inflação, reforçando a perspectiva de corte da Selic. Haddad voltou a dizer que não há risco de descumprimento da meta fiscal, mas o diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou a necessidade de esforço adicional da autoridade monetária diante da alta da inadimplência.
Entre as ações, Eletrobras ON liderou as altas do Ibovespa, com avanço de 3,93%, após projeções de analistas sobre pagamento consistente de dividendos. CSN Mineração ON também se destacou, subindo 3,95%. As siderúrgicas registraram ganhos, enquanto frigoríficos avançaram pouco menos de 1%. No setor financeiro, Itaú Unibanco PN teve alta de 0,57%, apoiado por relatório da XP, que reiterou recomendação de compra. Banco do Brasil ON oscilou durante o dia, mas fechou em leve alta de 0,05%.
Vale ON subiu 0,33%, apoiada pelo setor de mineração. Já o varejo teve desempenho misto.
Entre as quedas, Petrobras PN recuou 1,36% e ON caiu 1,23%, acompanhando a queda de cerca de 3% do petróleo no mercado internacional. Braskem PN desvalorizou 5,13% após rebaixamento de nota de crédito por agência de risco e projeções de analistas sobre possível pedido de recuperação judicial.
O mês de setembro se encerra nesta terça-feira (30), junto com o terceiro trimestre. O mercado acompanhará a divulgação da taxa de desemprego de agosto no Brasil, indicadores da Alemanha e os primeiros dados de emprego nos EUA, com a pesquisa JOLTs. A expectativa segue voltada para a reunião entre Lula e Trump, considerada decisiva para o próximo mês.