Dólar abre estável e ouro sobe com mercado atento ao IPCA-15 e juros

Câmbio e metais refletem cautela dos investidores diante da agenda econômica intensa e da expectativa pelas decisões do Copom e do Federal Reserve
Karola G
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O dólar iniciou a terça-feira (27) praticamente estável, cotado a R$ 5,28, com leve variação negativa de 0,14% em relação ao fechamento anterior. O movimento ocorre em um ambiente de cautela, marcado pela divulgação de indicadores econômicos e pela expectativa em torno das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.

Segundo análise do economista Mauriciano Cavalcante, da Ourominas, o comportamento do câmbio acompanha o cenário externo, onde a moeda americana também apresenta recuo frente a outras divisas. Além disso, investidores realizam ajustes de posição e reduzem exposição, buscando proteção antes da chamada Super Quarta, quando ocorrem as decisões de juros do Copom e do Federal Reserve.

No mercado doméstico, o Banco Central realiza operações de rolagem de linhas de dólares, sinalizando atenção à liquidez. Ao mesmo tempo, a divulgação do IPCA-15, considerada a prévia oficial da inflação, concentra as atenções, assim como dados fiscais e do setor de construção. O início da reunião do Copom também marca o dia, com agentes atentos às sinalizações sobre o rumo da Selic.

No cenário internacional, os investidores acompanham o índice de confiança do consumidor nos Estados Unidos e indicadores de atividade econômica na Europa. Além disso, persistem no radar as incertezas fiscais americanas, incluindo o risco de paralisação do governo, bem como tensões geopolíticas que influenciam o humor dos mercados globais.

Enquanto o dólar opera próximo da estabilidade, o ouro apresenta valorização expressiva. O metal abriu o pregão desta terça-feira (27) cotado a US$ 5.095 por onça, próximo ao recorde histórico registrado no dia anterior, quando superou US$ 5.110. A alta em torno de 2% reflete o aumento da demanda por ativos considerados seguros.

De acordo com Mauriciano Cavalcante, o movimento do ouro está associado à busca por proteção diante do avanço das tensões geopolíticas e das incertezas fiscais nos Estados Unidos. O volume elevado de negociações indica maior aversão ao risco, ao mesmo tempo em que investidores avaliam a possibilidade de manutenção de juros elevados por um período prolongado.

O ambiente internacional segue marcado por conflitos, negociações envolvendo Rússia e Ucrânia e oscilações nos preços do petróleo e de outras commodities. Esses fatores contribuem para a volatilidade e reforçam a procura por ativos de proteção, como o ouro, enquanto o mercado aguarda definições sobre política monetária.

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