Trump ameaça cassar licenças de emissoras críticas enquanto sanciona Brasil por liberdade de expressão

Presidente dos EUA acusa canais de "publicidade ruim", pressiona a ABC a suspender programa de Jimmy Kimmel e amplia sanções contra o Brasil.
Jonathan Ernst
Jonathan Ernst

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (18), em retorno de viagem ao Reino Unido, que emissoras de rádio e televisão que criticam seu governo podem ter suas licenças de funcionamento revistas. Segundo ele, a decisão caberia ao chefe da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Brendan Carr.

“Quando se tem uma rede e se tem programas noturnos e tudo o que fazem é criticar o Trump. É só o que fazem. Eles me dão apenas publicidade ruim. Eles estão recebendo uma licença. Eu acho que talvez a licença deles devesse ser retirada”, disse Trump a jornalistas.

O comentário ocorre em meio à repercussão do assassinato de Charlie Kirk, militante de extrema-direita aliado de Trump, morto a tiros durante uma palestra em uma universidade de Utah. O presidente vinculou o episódio à atuação de opositores e voltou a criticar a cobertura da imprensa sobre o caso.

Após pressão da Casa Branca, a ABC, emissora pertencente ao grupo Disney, suspendeu “indefinidamente” o programa do apresentador Jimmy Kimmel, crítico do governo. O chefe da FCC afirmou que esperava uma reação das afiliadas da rede e sugeriu que poderiam ocorrer consequências, declarando: “Podemos fazer isso da maneira fácil, ou da maneira difícil”.

Em seu último programa, Kimmel havia afirmado que os EUA alcançaram “novos níveis baixos” com a tentativa de apoiadores de Trump de afastar o assassino de Kirk, Tyler Robinson, de vínculos com o movimento MAGA (Make America Great Again).

Organizações civis reagiram à suspensão. A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) declarou que a medida representa um ataque à liberdade de expressão. “As ações do governo Trump, somadas à capitulação da ABC, representam grave ameaça às nossas liberdades garantidas pela Primeira Emenda”, afirmou Christopher Anders, diretor da entidade.

Em entrevista coletiva, Trump comentou a saída de Kimmel afirmando que a demissão ocorreu por “falta de talento” do apresentador. “Ele disse uma coisa horrível sobre um grande cavalheiro conhecido como Charlie Kirk. Jimmy Kimmel não é uma pessoa talentosa e eles deveriam tê-lo demitido há muito tempo”, declarou.

Enquanto é acusado de restringir a liberdade de expressão em seu próprio país, o governo norte-americano anunciou novas sanções contra o Brasil. As medidas incluem taxação de 50% sobre exportações e restrições ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Segundo a Casa Branca, a justificativa é a defesa da liberdade de expressão de opositores e de redes sociais dos EUA.

O governo dos EUA acusa o STF de perseguir o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, associação criminosa e pressão sobre chefes militares para anular as eleições presidenciais de 2022. As investigações apontaram ainda planos de assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes.

Fonte: Agência Brasil

Leia também

Acompanhe tudo sobre

Últimas notícias

Coreia do Sul vence República Tcheca de virada

Asiáticos impressionaram pelo bom futebol na estreia da Copa

México abre Copa vencendo África do Sul em duelo com três expulsões

Donos da casa fazem a festa de mais de 80 mil torcedores no Azteca

Abertura da Copa 2026 emociona o Estádio Azteca, no México

Cerimônia reuniu Shakira, Bocelli e representantes de 45 seleções