Dólar abre em alta e ouro recua com tensão no Estreito de Ormuz

Escalada no Oriente Médio, bloqueio a portos iranianos e piora das projeções do Focus elevam a cautela dos investidores nesta segunda-feira (13).
Karola G
Karola G

O dólar iniciou os negócios desta segunda-feira (13) em alta, cotado ao redor de R$ 5,03, em meio ao aumento da aversão ao risco nos mercados globais. O movimento ocorre após a escalada das tensões no Oriente Médio, com o anúncio de medidas dos Estados Unidos envolvendo o tráfego marítimo ligado ao Irã e reflexos diretos sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional de petróleo.

Segundo o boletim de câmbio de Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, a moeda norte-americana acompanha o fortalecimento global do dólar. Além disso, o fluxo mais defensivo e a menor entrada de capital em ativos de risco pressionam divisas emergentes, como o real.

De acordo com informações do mercado, os Estados Unidos devem iniciar a partir das 11h, no horário de Brasília, um bloqueio a portos iranianos após o fracasso das negociações diplomáticas no fim de semana. Ao mesmo tempo, embarcações passaram a evitar o Estreito de Ormuz, o que ampliou a cautela no setor de transporte marítimo e reforçou o viés de proteção entre investidores.

No cenário doméstico, o foco dos agentes financeiros está no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. Conforme o relatório, houve piora nas expectativas para a inflação, fator que também influencia a curva de juros e o comportamento do câmbio. Investidores ainda acompanham declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em eventos do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária.

Ouro recua, mas segue no radar como proteção

No mercado de metais, o ouro opera em queda nesta segunda-feira (13). A onça troy é negociada próxima de US$ 4.739, enquanto no Brasil o ouro à vista (24k) gira em torno de R$ 768 por grama, segundo boletim de Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas.

O recuo, conforme a análise, é influenciado pelo fortalecimento do dólar, que reduz a atratividade do metal para investidores internacionais. Além disso, ajustes técnicos após oscilações recentes também contribuem para o movimento de baixa.

Apesar disso, o ouro continua no radar como ativo de proteção. A escalada das tensões no Golfo Pérsico e as restrições no Estreito de Ormuz mantêm o nível de incerteza elevado, o que tende a sustentar a demanda pelo metal no médio prazo.

Outro fator monitorado pelo mercado são as expectativas para os juros nos Estados Unidos. Juros mais altos elevam o custo de oportunidade do ouro, enquanto cenários de maior instabilidade global costumam sustentar a busca por proteção patrimonial.

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