O dólar abriu em alta nesta sexta-feira (30), cotado a R$ 5,20, refletindo o comportamento cauteloso dos investidores diante dos sinais da política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, além da atenção à sucessão no comando do Federal Reserve.
De acordo com Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, o movimento do câmbio acompanha o maior apetite ao risco nos mercados, impulsionado pela expectativa de manutenção dos juros norte-americanos e pela sinalização de possíveis cortes da Selic no Brasil. O fluxo estrangeiro segue positivo para ativos brasileiros, especialmente ações, em meio à busca por retornos mais elevados em mercados emergentes.
O diretor da Ourominas destaca que o volume de negócios permanece elevado, com contratos futuros operando próximos de R$ 5,20. Segundo ele, o sentimento do mercado é de cautela moderada, mas ainda com espaço para tomadas de risco, diante da combinação de fatores domésticos e externos.
No cenário interno, a decisão do Comitê de Política Monetária de manter a Selic em 15% ao ano, com indicação de possíveis cortes a partir de março, reforça as expectativas de redução do custo de capital. Conforme Elson Gusmão, esse ambiente contribui para sustentar o interesse de investidores estrangeiros no mercado brasileiro.
No exterior, o Federal Reserve manteve os juros, ressaltando inflação ainda elevada e crescimento sólido nos Estados Unidos. Além disso, o anúncio do ex-presidente Donald Trump indicando Kevin Warsh como novo presidente do Fed passou a ser acompanhado de perto pelo mercado, diante de possíveis mudanças na condução da política monetária norte-americana.
Na agenda desta sexta-feira (30), investidores acompanham no Brasil a divulgação de dados fiscais e as declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o equilíbrio das contas públicas. No cenário internacional, o foco está nos indicadores de confiança do consumidor nos Estados Unidos, nos dados de inflação da zona do euro e nas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impactam o preço do petróleo e o câmbio.
Segundo Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas, o ouro abriu esta sexta-feira (30) cotado a R$ 850,46 por grama no Brasil (24k), queda de 1,64% em relação ao fechamento anterior de R$ 864,60, acompanhando o movimento internacional de realização de lucros.
De acordo com Mauriciano Cavalcante, o ouro também registra recuo nas cotações de 22k, a R$ 779,58, e de 18k, a R$ 637,84. O economista aponta que a menor demanda por ativos de proteção ocorre em um dia de maior apetite ao risco, com fluxo direcionado para ações e moedas de mercados emergentes.
O sentimento do mercado, segundo o economista da Ourominas, é de cautela moderada. Investidores reduzem posições em ouro diante da expectativa de manutenção dos juros nos Estados Unidos e da busca por ativos com maior potencial de retorno. No Brasil, a perspectiva de cortes futuros da Selic contribui para diminuir a procura por proteção metálica.
O cenário internacional segue marcado pela atenção às decisões do Federal Reserve e à evolução das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Conforme a avaliação de Mauriciano Cavalcante, a tendência no curto prazo é de volatilidade, com o ouro oscilando em torno de R$ 850 por grama, enquanto investidores ajustam posições entre proteção e risco.