Copom mantém taxa básica de juros em 15% pela quarta vez seguida

Manutenção da Selic e queda dos juros americanos influenciam câmbio, Bolsa e apostas para as próximas reuniões de política monetária
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O Banco Central do Brasil e o Federal Reserve divulgaram suas decisões de política monetária na última Super Quarta de 2025, realizada nesta quarta-feira (10). O Copom decidiu manter a Selic em 15% ao ano, conforme sinalizado por analistas. A medida ocorreu em meio à inflação ainda acima da meta e à leitura de que a postura contracionista precisa ser preservada até que o arrefecimento dos preços seja mais consistente. Embora a taxa tenha sido mantida, parte do mercado considera possível o início de cortes a partir de janeiro de 2026.

Segundo Paulo Cunha, CEO da iHUB Investimentos, a decisão não trouxe surpresa, mas houve atenção para ajustes na comunicação do Banco Central. “A manutenção da Selic já era esperada. Porém, o ponto sensível é o fato de o Banco Central ter retirado das atas a expressão ‘tempo suficientemente prolongado’. Essa mudança abre espaço para cortes a qualquer momento. A maioria do mercado ainda não espera movimento imediato, mas já há apostas de 0,25% para janeiro, algumas mais agressivas, em 0,50%. Por isso, o foco estará no tom do comunicado e no quanto o Banco Central se mostrará confortável para iniciar um novo ciclo de queda”, afirmou.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, ajustando o intervalo para 4,50% a 3,75% ao ano. A autoridade monetária deu continuidade ao processo de flexibilização iniciado em setembro, após sequência de reuniões mantendo os juros estáveis. O movimento ocorreu apesar das incertezas que ainda cercam o desempenho da economia americana. Conforme a avaliação de analistas, o mercado tenta entender por quanto tempo o Fed seguirá reduzindo juros.

A reação dos investidores aos anúncios tem sido positiva, de acordo com Cunha. “A Bolsa brasileira já vinha batendo recordes na esteira da expectativa de cortes pelo Fed. Com a efetivação do corte, os ativos que mais se beneficiam são a renda variável e os papéis pré-fixados de prazos mais longos, impulsionados pelo fechamento da curva de juros. Já no câmbio, a lógica é clara: juros mais baixos nos Estados Unidos e ainda elevados no Brasil aumentam o fluxo de capital para mercados emergentes, fortalecendo o Real e pressionando o dólar para baixo”, disse.

A análise de economistas também reforça que a leitura das projeções de inflação segue determinante para estimar os próximos passos da política monetária. Carlos Lopes, economista do banco BV, afirmou que o comunicado trouxe apenas pequenas alterações. “A decisão do Banco Central de manter a Selic em 15% foi amplamente esperada, mas a comunicação se alterou muito pouco em relação à última reunião. Basicamente, a única mudança que chama mais a atenção é a redução da projeção de inflação do Banco Central para o final do horizonte relevante, que é o segundo tri de 27, de 3,3 para 3,2. Fora isso, todo o restante do comunicado é praticamente idêntico à comunicação da reunião passada. Isso mostra que o Banco Central tem uma baixa convicção sobre o início de corte de juros em janeiro”, avaliou.

Lopes destacou ainda que a ausência de sinalizações mais explícitas reduz a probabilidade de cortes no curto prazo. Segundo ele, o cenário-base da instituição permanece indicando início do ciclo de redução em março de 2026 e expectativa de Selic em 12% ao final do ano.

Marcos Freitas, analista macroeconômico da AF Invest, apresentou avaliação semelhante. Para ele, o comunicado veio alinhado ao esperado, com ênfase para a revisão marginal da projeção de inflação no horizonte relevante. “O que o mercado pode ler como um pouco mais brando foi a mudança na projeção para a inflação no horizonte relevante, para o segundo trimestre de 2027, caindo de 3.3 para 3.2. Pode ser um dos principais sinais a que o mercado vai se apegar, dado que na próxima reunião teremos a rolagem desse horizonte relevante e a projeção pode cair adicionalmente para bem próximo da meta”, afirmou.

Freitas acrescentou que o Copom reforçou a necessidade de uma política monetária significativamente contracionista por período prolongado. Embora a expectativa dele seja de corte apenas em março, o analista considera que o comunicado deixou aberta a possibilidade de alteração conforme a evolução dos dados de atividade, expectativas e inflação.

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