Ibovespa renova recorde histórico e fecha aos 146.969 pontos após encontro entre Lula e Trump

Trégua comercial entre EUA e China e otimismo político elevam bolsas pelo mundo; Marfrig dispara 6,45% e dólar recua 0,42%
Germano Lüders
Germano Lüders

O Ibovespa engatou a quarta alta consecutiva, subindo 0,55%, aos 146.969,10 pontos, novo recorde histórico de fechamento, superando os 146.491,75 pontos registrados em 24 de setembro.
Na máxima, o índice chegou aos 147.976,99 pontos, a maior pontuação já alcançada, flertando com os 148 mil. O volume financeiro foi firme e o otimismo se espalhou pelos principais mercados globais.

O dólar comercial caiu 0,42%, cotado a R$ 5,370, com o real entre as moedas de melhor desempenho do dia. Já os juros futuros (DIs) terminaram mistos, após abrirem em baixa firme pela manhã.

Lula e Trump: encontro histórico marca trégua simbólica

O clima positivo começou cedo, com o aguardado encontro entre o presidente Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur.
A imagem dos dois sorrindo e apertando as mãos dominou o noticiário internacional, com direito a parabéns públicos de Trump pelos 80 anos de Lula, completados nesta segunda-feira (27).

O presidente brasileiro descreveu a conversa como “supreendentemente boa”, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o diálogo “marca um ponto de virada nas relações entre Brasil e EUA”.
O governo anunciou que enviará uma “tropa de choque” diplomática para as negociações bilaterais, composta por Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e o próprio Alckmin (Indústria e Comércio).

Trégua global impulsiona mercados

Nos Estados Unidos, Trump acenou com uma trégua comercial com a China, antes de seu encontro com Xi Jinping, marcado para quinta-feira (30) — gesto que impulsionou os principais índices em Wall Street.
Na Europa, as bolsas acompanharam o embalo, e o ouro recuou novamente, após uma sequência de recordes.

O otimismo também se espalhou por outras regiões:

  • No Japão, o Nikkei superou 50 mil pontos pela primeira vez, embalado por promessas de estímulos da premiê Sanae Takaichi;
  • No México, a presidente Claudia Sheinbaum estendeu as negociações comerciais com os EUA;
  • E na Argentina, o mercado reagiu com entusiasmo à vitória surpreendente do presidente Javier Milei nas eleições legislativas de meio de mandato.

O clima de otimismo levou o Relatório Focus a registrar nova rodada de revisões para baixo nas expectativas de inflação — agora, o IPCA projetado caiu de 4,70% para 4,56%.

Ações: bancos e Petrobras sobem; Marfrig dispara com plano de IPO Halal

O bom humor do mercado se refletiu na bolsa, com ganhos generalizados.

Petrobras (PETR4) avançou 0,54%, mesmo com leve recuo do petróleo internacional, após o relatório de produção do 3º trimestre divulgado na sexta.
Os bancos também brilharam: Banco do Brasil (BBAS3) subiu 1,61%, Bradesco (BBDC4) ganhou 0,83% e Itaú (ITUB4) encerrou próximo da estabilidade, estendendo o tom positivo da semana passada.

Na ponta corporativa, Marfrig (MRFG3) foi o grande destaque do dia, disparando 6,45% após anunciar a criação da Sadia Halal, empresa voltada ao mercado islâmico, com plano de IPO na Arábia Saudita até 2027.

Outros destaques positivos:

  • RD (RADL3) subiu 1,12%, após recomendação elevada por analistas;
  • Tenda (TEND3) ganhou 1,04%, com otimismo renovado para o setor de construção de baixa renda.

Entre as poucas quedas, Vale (VALE3) recuou 0,11%, corrigindo parte dos ganhos recentes.

Com o resultado de hoje, o Ibovespa acumula alta de 2,5% em outubro e segue firme para um fechamento mensal positivo.

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