Ibovespa recua 0,29% em dia morno e sem direção definida

Sessão lenta reflete agenda fraca, cautela global e ajustes pontuais; Embraer e Vamos se destacam nas altas, enquanto bancos e Petrobras pressionam o índice
Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

O Ibovespa teve um dia sonolento nesta terça-feira (21), marcado por baixo volume e falta de direção clara nos mercados globais. O principal índice da B3 caiu 0,29%, aos 144.085,15 pontos, devolvendo parte dos ganhos da véspera, em uma sessão em que até Wall Street bocejou.

O dólar comercial interrompeu uma sequência de quatro quedas e subiu 0,36%, cotado a R$ 5,390, enquanto os juros futuros (DIs) seguiram em queda por toda a curva, refletindo a leitura de um cenário doméstico ainda sem grandes novidades.

Mercados globais sem fôlego e recuos de Trump

Lá fora, o dia também foi de marasmo. Os investidores aguardavam novos balanços trimestrais e qualquer sinal de avanço nas relações diplomáticas dos Estados Unidos. Mas o presidente Donald Trump voltou a confundir o mercado ao recuar de encontros com Vladimir Putin e Xi Jinping, em mais uma reviravolta na diplomacia norte-americana.

A falta de notícias econômicas relevantes e a ausência de indicadores fortes mantiveram os investidores em compasso de espera. Em Nova York, Coca-Cola e General Motors divulgaram resultados mistos, enquanto os principais índices terminaram próximos da estabilidade.

Até o ouro — que vinha batendo recordes — perdeu o brilho, registrando sua maior queda em 12 anos.

Cenário doméstico: economia em câmera lenta

No Brasil, a terça-feira manteve o ritmo arrastado. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que o governo enviará dois projetos de lei ao Congresso para substituir trechos da extinta Medida Provisória 1303, que tratava da tributação de aplicações financeiras, apostas online e cortes de despesas.

Haddad reiterou que o governo cumprirá a meta fiscal e que o país registrará superávit primário ainda em 2025. As declarações, porém, não animaram o mercado.

Blue chips pesam: Vale, Petrobras e bancos caem

As ações de maior peso no índice recuaram e determinaram o tom negativo da sessão. A Vale (VALE3) caiu 0,16%, após oscilar entre leves ganhos e perdas, em linha com o minério de ferro, que ficou praticamente estável na China.

A Petrobras (PETR4) recuou 0,81%, em movimento mais acentuado que o petróleo internacional, após anunciar pagamento de R$ 1,54 bilhão à Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) referente ao acordo de individualização da produção do campo de Jubarte, aprovado em julho.

No setor financeiro, o dia foi de ajustes negativos: Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,11%, Bradesco (BBDC4) recuou 1,33%, Itaú Unibanco (ITUB4) cedeu 0,94% e Santander (SANB11) perdeu 0,48%, todos refletindo leve correção após recentes altas.

Embraer e Vamos destoam com fortes ganhos

Em contrapartida, Embraer (EMBR3) se destacou com alta de 5,12%, impulsionada por recorde na carteira de pedidos do 3T25 e por um memorando de negócios com a Coreia do Sul.

Outra grande alta veio de Vamos (VAMO3), que saltou 6,90% após divulgar prévia operacional com aumento de 25% na receita do terceiro trimestre.

Brava Energia (BRAV3) despencou 5,84%, em meio a mudanças na diretoria, e Ambipar (AMBP3) — fora do Ibovespa — afundou 29,31%, com a empresa admitindo “irregularidades descobertas” e pedido de recuperação judicial.

Perspectivas: agenda segue fraca

Com a agenda de indicadores praticamente vazia nesta quarta-feira (22), a tendência é de continuidade do ritmo lento nos mercados. Ainda assim, analistas destacam que a semana está apenas começando — e que eventuais balanços e discursos de autoridades podem despertar o mercado do torpor.

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