Pix Parcelado adiado, mas já movimenta o mercado e impulsiona demanda por galpões logísticos

Mesmo com o adiamento pelo Banco Central, expectativa sobre o Pix Parcelado aquece o varejo digital e aumenta investimentos em estruturas logísticas modernas para atender à expansão do e-commerce no país
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O Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, segue em ritmo de expansão no Brasil. No último mês, o meio de pagamento atingiu a marca histórica de R$ 165 bilhões movimentados em um único dia, com 290 milhões de transações, segundo dados da instituição. A expectativa é que esse desempenho ganhe ainda mais força com o lançamento do Pix Parcelado, previsto para entrar em operação após adiamento da regulamentação.

A nova modalidade deve funcionar como uma alternativa de crédito digital voltada a cerca de 60 milhões de brasileiros que não possuem cartão. De acordo com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o objetivo é ampliar o uso do Pix no varejo, especialmente em compras de maior valor, que tradicionalmente dependem do parcelamento em cartão de crédito.

Embora o lançamento tenha sido adiado, especialistas afirmam que o impacto econômico do Pix Parcelado tende a ser expressivo. Segundo estimativa da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o e-commerce deve movimentar R$ 234 bilhões em 2025, impulsionado pela ampliação do acesso ao crédito e pela simplificação dos meios de pagamento.

Esse crescimento reflete diretamente no setor imobiliário, especialmente no mercado de galpões logísticos, que já registra aumento na procura por estruturas modernas e próximas a grandes centros urbanos. “A diferença em relação ao cartão de crédito é clara: no cartão, o lojista só recebe o valor parcelado aos poucos e o consumidor pode enfrentar juros embutidos, além de taxas no rotativo. Já no Pix Parcelado, o lojista recebe o valor total na hora, enquanto o consumidor paga as parcelas diretamente ao banco, com juros definidos pela instituição. Isso torna a operação mais transparente e com custos menores, o que aumenta a taxa de conversão nas vendas digitais”, afirmou Renato Monteiro, CEO da Sort Investimentos.

A empresa, que administra mais de R$ 3 bilhões em ativos logísticos no país, registrou R$ 96 milhões em negociações de galpões e terrenos apenas no primeiro semestre deste ano. Segundo Monteiro, o avanço do comércio eletrônico gera uma “pressão positiva” sobre a cadeia logística, que precisa acompanhar o ritmo do varejo digital.

Além de impulsionar o setor de galpões, a expansão do Pix Parcelado pode beneficiar fundos imobiliários que possuem ativos logísticos em suas carteiras. “É muito improvável que o e-commerce cresça sem que a logística acompanhe. O aumento da demanda por galpões é praticamente automático, e quem investir nesse segmento tende a colher bons resultados”, acrescentou o executivo.

Pesquisas indicam que mais de 70% dos brasileiros preferem parcelar suas compras, mesmo com juros. Nesse contexto, o Pix Parcelado surge como uma alternativa mais acessível, sem depender de limite de cartão e com uma experiência totalmente digital. Para o varejo on-line, isso representa maior alcance e conversão de vendas.

Embora algumas instituições já ofereçam versões próprias de parcelamento via Pix, o Banco Central deverá padronizar as regras a partir deste mês, criando um modelo unificado que poderá redefinir a dinâmica do crédito e do consumo no país.

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